( EUA, 1994 )
Direção de Robert Altman
Com Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Kim Basinger, Jean-Pierre Casel, Stephen Rea, Rupert Everett, Forest Whitaker, Julia Roberts, Tim Robbins, Lauren Bacall, Danny Aiello, Cher
por Victor Barreto
colaborador
Uma das muitas polêmicas do nosso tempo é o mundo da moda. Não é surpresa o assunto causar tantos debates, por ser considerado o cerne de problemas como a anorexia e a bulimia, ao criar padrões de beleza e difundir o conceito de perfeição estética para as massas. Isso também contribui para a noção de que é algo extremamente fútil, e jamais deveria ganhar tanta atenção. Analizando o ápice desse universo, a semana de moda em Paris, Robert Altman novamente escala um elenco épico, entrelaçando diversas histórias. E a conexão entre elas não é apenas moda, mas a epifania de que até mesmo a alta sociedade parisiense pisa na bosta de cachorro.
"Prêt-à-Porter"(Pronto Para Vestir, em francês), assim como Short Cuts ou Gosford Park, estuda as personagens através de suas relações em um meio social, e não isoladamente. Isso tranforma o filme em um verdadeiro painel analítico, enfatizando a visão do diretor sobre o assunto. Uma repórter sedenta por furos jornalísticos, compartilha a postura interesseira de três editoras rivais de famosas revistas de moda, na missão de conseguir um badalado fotógrafo assinar um contrato. A dona de uma famosa grife sofre com a decisão do filho de vendê-la para um fabricante de botas de cowboy americanas, enquanto enfrenta a súbita morte de seu amante, um czar da moda que apesar do prestígio, ninguém suportava. Já sua mulher, se depara com um namorado antigo, que está de volta para conquistá-la. Como todo negócio lucrativo, muitos estão atrás de sua parte, seja dinheiro, um caso ou vaidades pessoais. E no meio desta teia de interesses, o evento acontece a todo vapor, jamais sendo ofuscado. Apesar do tom ser de comédia, Altman usou cenas reais do evento, até mesmo entrevistas com estilistas e celebridades, deixando seus atores improvisarem nessa interação. Isso conferiu uma veracidade indiscutível ao filme, além de extrair humor das situações mais inesperadas.
Além de situar a platéia quanto as inúmeras pessoas mostradas na tela, o diretor nunca deixa de estudar as características daquele universo. No início, uma modelo tatuada de cabelo raspado é duramente criticada por um dos estilistas, mas conforme o filme passa vemos a situação mudar e no fim, sem qualquer anúncio, nós mesmos percebemos o talento nato da moça para desfilar, nos levando a conclusão de que qualquer visual funciona, se bem trabalhado (e a presença da atriz Rossy de Palma no elenco fortalece essa idéia). Altman surpreende ao não fazer críticas à moda, e sim à forma inapropriada como ela é tida. "Prêt-à-Porter" celebra o que de melhor aquilo tudo oferece, e mostra que as futilidades e intrigas não têm força para arruinar o show.
Hello world!
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Já tentei descobrir se Altman tem um estilo, mas, com exceção de gostar de usar grandes elencos e histórias, não consegui encontrar visualmente´, o que mostra que o homem era versátil ( até musical ele fez ). O melhor Altman para mim continua sendo "O Jogador".
Gosto desse filme, do elenco e de todo o bastidor da moda que ele faz. Sem dúvidas, um dos melhores filmes sobre o mundo da moda.
Pois é, o Altman é mais reconhecido pelos filmes de grande elenco, sempre com um pé na comédia.
Mas se ele não tem um estilo, é característica dele a classe com que conduz a câmera (é difícil vê-la parada), a segurança em contar sua história e entrelaçar suas personagens de forma visual.