Escritores da Liberdade

Escrito por Fábio Rockenbach

( Freedom Writers, EUA, 2007)
Direção de Richard LaGravenese, com Hillary Swank, Patrick Dempsey, Scott Glenn, Imelda Staunton


Você já viu essa história antes. Desde que Sidney Poitier estrelou “Ao Mestre, com Carinho”, clássico da Columbia de 1966, o tema professor idealista versus alunos problemáticos gerou um dos mais batidos temas do cinema: alguns com qualidade, outros completamente descartáveis. “Escritores da Liberdade” se insere em um meio termo em toda essa história. Parte de uma história real que foi, percebe-se, romantizada e preparada para emocionar, mas tem o mérito de tentar explicar as origens do problema confrontado pela professora iniciante interpretada por Hillary Swank, e não simplesmente jogar o problema a esmo se concentrando na luta do sempre persistente mestre em questão.

“Escritores da Liberdade” é, na verdade, o nome dado por estudantes de uma escola de ensino médio ao livro originado da experiência de anos promovida pela jovem professora Erin ( Swank ). A professora é o típico retrato do idealismo e da ingenuidade. Envolve-se em uma escola que promoveu a “integração” de classes e raças, e herdou uma turma de alunos problemáticos, repleta de conflitos envolvendo guerra de gangues, diferenças raciais e queixas sociais, apresentados como problemas graves de Miami. Erin logo descobre que não poderá ensinar língua inglesa e literatura da forma como idealizava. Troca o programa básico por um “alternativo”, visando primeiro entender o mundo dos seus alunos e socializá-los. Ganha pontos por essa medida: desde o início, o filme de Richard LaGravenese se preocupa em ambientar essa história real no ambiente onde ela se desenvolve, consciente de que só assim o roteiro pode ser perfeitamente compreendido. Não à toa, quem inicia o filme não é Erin, mas uma de suas alunas, relembrando como passou da ingenuidade à raiva em alguns anos de infância perdida.

O mais grave dos problemas é a necessidade absurda de encontrar um vilão para essa história, e ele não é a desordem social e a desigualdade – ou mesmo a violência. Ele concentra-se de forma caricata na diretora da escola de Erin, feita pela sempre competente Staunton, que nutre por ela um ódio inexplicável, e um conservadorismo irritante. É forçado demais. Por outro lado, guarda bons momentos ( o jogo da verdade, onde Erin coloca seus alunos sobre uma linha expondo os problemas com a violência que eles enfrentam e a seqüência ambientada no Museu do Holocausto são absorventes ). O melhor deles, no entanto, é a reação da aluna que abre o filme ao terminar de ler “O Diário de Anne Frank”, despejando sua raiva sobre Erin por não poder exorcisar seus medos nem nos livros : “Por que me fez perder tempo lendo se sabia que ela morreria?” E apesar de aproveitar muito pouco os talentos de Dempsey ( que melhorou muito como ator depois de Grey's Anatomy ) e Glenn, não se perde ao expor os problemas do núcleo familiar de Erin.

Repleto de clichês, manipulador e exagerado em vários sentidos sim, mas mais sincero do que muitos outros exemplos da mesma safra.

2 Comentários:

  1. Robson Saldanha disse...

    Você acredita que estou com esse filme aqui e ainda não vi? Quero ver... adoro Ao Mestre com carinho! heheh

    Abraço!

  2. Fábio L. Rockenbach disse...

    Não se compara ao filme do Poitier Róbson, mas não é a bomba que eu imaginei que seria...