Especial LOTR - O Retorno do Rei

Escrito por Fábio Rockenbach

( Lord of the Rings - The Return of the King, EUA, 2003 )
Direção de Peter Jackson, com Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd, Liv Tyler, John Rhys-Davies, Dominic Monaghan, Christopher Lee, Orlando Bloom, Bernard Hill, Miranda Otto, Brad Douriff, Andy Serkis



Enquanto Frodo e Sam adentram em Mordor rumo à Montanha da Perdição, Sauron prepara um ataque derradeiro à Gondor, o grande reino dos Homens. Aragorn, Legolas e Gimli partem para a Senda dos Mortos, buscando o auxílio de um exército que somente o rei de Gondor pode invocar, enquanto Gandalf organiza a defesa de Minas Tirith, esperando pelo socorro de Rohan.

Falar de “O Retorno do Rei”, conclusão da saga do Anel que marcou para sempre um ponto divisor no cinema fantástico é, de certa forma, mencionar superlativos. E, claro, sempre há aqueles que passam a desgostar de um filme exatamente por esses superlativos. Eles indicam, entretanto, que o filme foi êxito, e o público não é tão idiota. Há aqueles sucessos de bilheteria provocados pelo momento, mas que caem no esquecimento tempos depois ( Armageddon foi um sucesso de bilheteria estrondoso, e quem lembra do filme com carinho hoje? ). “O Retorno do Rei” foi um dos únicos três filmes a ultrapassar a barreira do bilhão de dólares em bilheteria, e perde apenas para “Titanic” entre as maiores bilheterias da história. É o maior vencedor da história do Oscar, com 11 estatuetas, ao lado do mesmo Titanic e de Ben Hur. E aos que desdenham de números ligados a bilheteria ou ao comercial Oscar, agüentem: é um triunfo do cinema espetáculo que apresenta o momento máximo da adaptação da mais cultuada obra literária da história. Um dos grandes momentos do cinema como espetáculo em 100 anos.

Jackson, percebe-se, consegue lidar melhor com as várias linhas narrativas, e ao longo da trilogia, elas foram ampliando-se. Aqui, ele consegue unir esses núcleos de forma extremamente satisfatória, sem quedas abruptas em momentos decisivos ou perdas de ritmo que pudessem incomodar o público, como aconteceu em “As Duas Torres”. As mudanças feitas pelo diretor não influenciaram na percepção da estória – apenas senti falta do destino de Saruman, o principal vilão visualizado pelo público nos filmes anteriores, erro que a versão Estendida corrigiu, apesar de que com mudanças. A ausência da seqüência do Expurgo do Condado, por mais que tenha irritado fãs, foi crucial: o final do filme já é longo, com praticamente 3 clímax diferentes, e a seqüência apenas alongaria ainda mais o final dessa estória.

É em “O Retorno do Rei” que todo o cuidado de Jackson com seus personagens, mesmo o secundários, transparece de forma absurda. A preparação citada anteriormente na crítica de “As Duas Torres” é o que possibilita a overdose de emoções que não se restringe aos personagens principais: a estória de Théoden e Eowyn emociona e envolve tanto quanto o drama de Frodo e Sam em Mordor ou a atitude de Aragorn de enfim lutar contra seus demônios e aceitar seu destino como Rei de Gondor. É em “O Retorno do Rei” que as mais de 6 horas anteriores se justificam – e não à toa, Jackson brincou dizendo que “fizemos os dois primeiros filmes para podermos, enfim, filmar “O Retorno do Rei”. È tarefa para poucos: os três filmes apresentaram mais de 100 personagens com falas e cerca de 20 retratados com substância e calma, algo difícil de se encontrar em um mero filme comercial. A agilidade com que o diretor conseguiu editar diversas estórias e fatos acontecendo simultaneamente é de se usar em qualquer aula de edição em cursos de cinema, como exemplo de como manter o fio da meada sem quebrar o ritmo ou descuidar do que, outrora, foi tão importante.

Em “O Retorno do Rei” o diretor abraça, finalmente, toda a mitologia que vinha preparando, fazendo uso inclusive de canções – algo que Tolkien usa e abusa ao longo de toda a narrativa. A seqüência em que Faramir e seus cavaleiros rumam para a morte enquanto Denethor se esbalda em um banquete é um notável exemplo: Pippin canta para o rei uma melodia triste e chora, não apenas por Faramir, mas pela fraqueza que ele enxerga no rei às sua frente, enquanto o monarca se suja com um suco vermelho que simboliza o sangue do próprio filho, sendo derramado em Osgilitah.


A Batalha nos Campos de Pellenor, que toma as telas e a atenção das platéias por longos 40 minutos, é o exemplo máximo a ser copiado e a servir de inspiração no que diz respeito a batalhas em uma tela de cinema. Ela reflete em 40 minutos tudo o que foi planejado, vivido e buscado pelos personagens. É a tour de force da jornada de todas as raças criadas por Tolkien e Jackson faz jus a todo esse significado: ela é insana, violenta, monumental em todas as proporções. Espelha o próprio épico que ele criou, e ainda consegue reunir nessa dezena de minutos momentos notáveis: a chegada dos cavaleiros de Rohan, a carga dos cavaleiros contra o exército de Orcs, o ataque dos Nazgul à Minas Tirith, o avanço dos Olifantes, a célebre luta entre Eowyn e o Nazgul, cantada em verso e prosa por amantes da saga ( e que ganha uma versão fílmica magnífica ), a invasão da grande cidade, e um momento que nunca deveria ter sido removido das versão para os cinemas: o encontro entre Gandalf e o rei Bruxo de Angmar, líder dos Nazgul. É um momento precioso, onde Gandalf é derrotado pelo Nazgul e salvo da morte pela chegada de Rohan a Pelennor- e justifica uma frase que ficou na versão original, onde ele diz ao líder dos Orcs que “cuidará do mago branco”, algo que nunca acontece na versão dos cinemas. Já a seqüência com o "Boca de Sauron" em frente ao Portão Negro, se não é essencial, aprofunda e explica o sentimento de entrega e sacrifício feito por Aragorn e o restante da comitiva quando se dispõem a enfrentar Sauron.

Jackson, todos sabem, é um cineasta inquieto com sua câmera. Gosta de movimentá-la, e isso confere agilidade e grandiosidade aos longos planos que atestam a magnitude da recriação feita pela WETA de tudo o que Tolkien imaginou como sendo a Terra Média. Gimli permanece como o alívio cômico, mas desta vez Jackson soube dosar melhor essa intervenção humorística. A partir de determinado momento, quando as cicatrizes da batalha em Helm’s Deep começam a cicatrizar, ele encara a tarefa de terminar a estória com seriedade. Transparece isso ao mostrar a transfiguração de Frodo – pode-se sentir o peso do fardo que ele carrega, apenas mencionado no primeiro filme e exercitado no segundo, a partir da seqüência dos Pântanos Mortos. Se é o núcleo que menos empolga ao público, a jornada de Frodo e Sam é a essência de tudo o que acontece na trilogia. E ela se justifica em uma cena emocionante: quando Sam diz que não pode carregar o anel, mas pode carregar Frodo. É o resumo do sentimento de abnegação e fidelidade do escudeiro com seu mestre. Sam é, para todos os efeitos, e numa opinião muito particular, o grande herói de saga do Anel. Tolkien reconhece isso, e deixa que ele encerre essa estória, apropriadamente.


A trilha sonora, mantendo a característica das anteriores, continua criando temas únicos para cada filme sem esquecer dos anteriores. Assim, na primeira parte de O Retorno do Rei, temas conhecidos de As Duas Torres continuam ecoando nos ouvidos, principalmente o tema dos cavaleiros de Rohan ( que aparecerá de forma derradeira momentos antes da batalha nos campos de Pelennor).

Existem pequenos deslizes, mas a maior parte deles está no fato de as exigências comerciais forçarem cortes na versão para os cinemas que Jackson, sabidamente, gostaria de não ter feito. Arwen, que era apenas um contraponto romântico à saga, praticamente desaparece neste terceiro filme, justificando sua aparição apenas para pedir ao pai que forje Anduril novamente e a leve a Aragorn. O plot romântico entre Faramir e Eowyn soa artificial na versão estendida - talvez seja o único momento em toda a saga que isso aconteça. E Jackson deixa claro como foi difícil, para ele, encerrar a estória com a qual se identificou tanto durane sete anos. O grande público não entende essa demora em terminar tudo após um clímax eletrizante. Jackson reserva esse direito aos fãs: a seqüência dos Portos Cinzentos é uma das mais belas do cinema, e apresenta também o ponto alto da trilha de Howard Shore. É difícil não se emocionar, mesmo sabendo que Jackson induz essa emoção – e faz isso também para ele, como fã.

Exemplo máximo do cinema como reprodutor de sonhos e mundos impossíveis de existirem, “O Retorno do Rei” é um produto atípico: foi concebido como uma homenagem a uma obra tida como impossível de ser adaptada. Hoje, não é difícil imaginar o filme como um exemplar do cinema fantástico difícil de, um dia, ser batido, porque não se resume à excelência técnica: foi feito a partir de uma estória que, também ela, dificilmente será igualada. As imitações e tentativas que vieram depois exemplificam isso. “O Senhor dos Anéis” é mais do que uma página na história do cinema: ganhou um capítulo só seu, não importa o quanto seus detratores protestem. “Algumas feridas nunca saram”. Para velhos e novos fãs, a saga dos povos da terra média e dos homens do leste contra Sauron é programa para, no mínimo, uma nova visita anual. Longa vida aos DVDs, que propiciam essa passagem de volta no momento em que bem entendermos.

Vídeos

Gandalf enfrenta o Rei-Bruxo de Angmar em Minas Tirith


A Carga dos Rohirrim nos Campos de Pelennor


Eowyn encara o Rei Bruxo


Pippin canta para Denethor enquanto Faramir ruma para a morte


Sam carrega Frodo na Montanha da Perdição


Os Portos Cinzentos



Especial LOTR - A Sociedade do Anel

Escrito por Fábio Rockenbach

( Lord of the Rings - The Fellowship of the Ring, EUA, 2001 )
Direção de Peter Jackson, com Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd, Liv Tyler, John Rhys-Davies, Dominic Monaghan, Christopher Lee, Ian Holm, Orlando Bloom


Uma comitiva de povos da Terra Média (4 hobbits, dois homens, um mago, um anão e um elfo) precisa destruir um anel que é a fonte de poder do senhor do mal, Sauron, que depois de milênios começa a ressurgir. O anel só pode ser destruído no local onde ele foi forjado, a Montanha da Perdição, no meio do território governado por Sauron.


Mais de um ano antes de ser lançado nos cinemas, os primeiros rumores sobre a adaptação para os cinemas de “O Senhor dos Anéis” apontava o diretor de “Os Espíritos” como responsável pela empreitada, e afirmava que possivelmente seriam dois filmes condensando os três livros. Especulava-se Sean Connery para viver Gandalf. Tremi nas bases, primeiro lembrando da adaptação animada de Ralph Bashki feita em duas partes no final dos anos 70, e depois imaginando o sotaque escocês de Connery como Gandalf. Alguns meses depois um teaser falando sobre a concepção da obra e as primeiras imagens me deixaram mais tranqüilo e ao mesmo tempo afoito: O Senhor dos Anéis, ao que parecia, seria tudo o que eu poderia imaginar, principalmente porque havia a confirmação da presença do ilustrador Alan Lee na produção – conseqüentemente, minha visão preferida da obra deveria ser vista nas telas.

Dezembro de 2001 foi a apoteose para qualquer fã da obra de Tolkien, cultuada há meio século, porque pela primeira vez uma superprodução dedicava atenção, respeito e tecnologia para dar vida a uma obra que era considerada infilmável. “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel” tinha dois objetivos diretos quando foi lançado naquele ano: satisfazer os exigentes e fanáticos seguidores da obra e apresentá-la a quem não a conhecia, ou apenas a ligava a jogos de RPG. Conseguiu alcançar ambos os objetivos: choveram críticas de quem considerava o filme fútil, confuso e sem ritmo, e como de praxe, aqueles que passaram a odiá-lo devido à toda a badalação e o sucesso. Azar deles: A Sociedade do Anel apresenta um mundo fantástico com pompa e circunstância e, desde seu lançamento, inaugurou uma daquelas famosas eras de “antes” e “depois” no que diz respeito a épicos e fantasias no cinema. A seqüência em Moria - e particularmente a luta entre Gandalf e o Balrog - é um momento que eterniza essa afirmação.





SEM DIDATISMO, JACKSON PROVOCA A CURIOSIDADE DO LEIGO
Os primeiros cinco minutos da fantasia correspondem, provavelmente, a um dos melhores inícios – e um dos mais competentes exercícios de síntese já vistos – ao apresentar a mitologia em torno dos anéis do poder, a história de Sauron, sua queda, a traição de Isildur, o desaparecimento do anel e como ele foi parar no condado. Em apenas 5 minutos, e de uma forma que não deixa os leigos perdidos. Ao cabo desses cinco minutos, “A Sociedade do Anel” já fisgou seu público. Jackson começa, desde esse momento, a apresentar duas características marcantes da trilogia: movimentos de câmera fenomenais e a presença constante - constante mesmo - da música ao longo de todo o filme ( praticamente não existem cenas sem trilha sonora ). E é um filme notavelmente diferente dos seus sucessores. Aqui, Peter Jackson tinha a necessidade de apresentar personagens e mitologia, porque precisava pensar no filme como uma criação separada da literatura e, assim, perfeitamente inteligível. Adequadamente, ele optou por não fazer didatismos. Não tenta explicar os conceitos das raças de uma maneira didática, mas joga, aqui e ali, elementos nas frases dos personagens que começam a construir o sentido do mundo imaginado por Tolkien e suas raças. Jackson confiou que aqueles que não conheciam a mitologia acabariam se interessando por elas, e fez bem. Não foram poucas as pessoas que adotaram os livros após a experiência cinematográfica. Esse efeito foi conseguido sem que houvesse detrimento de entendimento da história. De forma lenta, os personagens começam a ser desenvolvidos de uma forma que fará sentido ao se completar o ciclo: entenda O Senhor dos Anéis não como três filmes, mas uma longa produção ( que é melhor com quase 12 horas na versão estendida ). Assim, a lenta mudança de comportamento, ânimo e aparência dos Hobbits é balizada, também, pela maneira como Gandalf mudará ao longo da jornada ( repare a reverência com que ele encara Saruman quando se encontram pela primeira vez ).



CENTRALIZAÇÃO DA NARRATIVA CRIA LAÇOS
A estrutura de “A Sociedade do Anel” é dividida em dois focos narrativos, e dois momentos: o primeiro foco corresponde aos personagens da sociedade em si, especificamente Frodo, Sam e Gandalf num primeiro momento.os demais integrantes depois, e o outro foco é o “eixo do mal” representado por Saruman. E ao longo da narrativa, mesmo com a presença de diferentes raças, é como se a Terra Média fosse povoada apenas pelos membros da sociedade e os orcs que os caçam. Essa centralização na figura dos nove integrantes é importante para que se estabeleça uma relação próxima entre eles e a platéia ( algo que Tolkien sabia muito bem e fez também nos livros ). Vagarosamente, novos elementos começam a surgir – os elfos em Lórien, especificamente. “A Sociedade do Anel” representa, assim, a apresentação aos personagens, ao mundo e ao plot que guia a jornada pela destruição do Um Anel.

Jackson, obviamente, promoveu alterações no roteiro para se adequar ao cinema. A jornada dos Hobbits à Bri ficou menor, e foi retirada toda a parte em que eles interagem com Tom Bombadil, um personagem amado pelos fãs. Outros núcleos foram ampliados, e Arwen, personagem de Liv Tyler, ampliou sua importância – não é ela quem salva Frodo dos Nazgul e faz erguerem-se as águas no livro. Já o background envolvendo Aragorn e Arwen, que ganha imenso destaque nos filmes, é uma maneira de Jackson recuperar uma estória amada pelos fãs mas que não deverá surgir em filmes, envolvendo Lúthien e Beren, uma elfa e um homem que se apaixonam ( estória presente em "O Sillmarilion" ) além, é claro, de criar um interesse romântico na saga que atraia parte do público. Sinceramente não me incomoda - e pior seria se Jackson inventasse essa relação. Não vou me demorar em mencionar as chacotas em torno da relação de Frodo e Sam. Jackson manteve o texto original de Tolkien, escrito nos meios acadêmicos antes da metade do século passado, para vários personagens, inclusive muitos diálogos da relação imaginada como servil e de devoção de Sam para Frodo ( nada mais normal para um inglês acostumado a esse tipo de relação em uma sociedade conservadora ). Se em vez de dizer “Oh Sam” ( como está nos livros escritos naquela época ) Frodo dissesse “Pô Sam, foi mal cara, me desculpe.” muita gente faria menos chacota. Eu, sinceramente, não ligo porque sei como isso está descrito nos livros.



UMA TRILHA PARA 12 HORAS DE FILME
O compositor Howard Shore, por sua vez, começa a criar a obra de sua vida ao fazer, para os três filmes, uma identidade própria, usando de um tema principal constante e variações que definem cada povo ou jornada. No primeiro filme, o tema da sociedade alternava-se ( depois da introdução da tocante "Concerning Hobbits" no Condado) com o tema dos Orcs e de Saruman, este muito mais tocado - e o épice é o coral de vozes cantando em "The Bridge of Kaza-Dhum", na sequência imediatamente anterior ( e imediatamente posterior de forma melancólica ) ao confronto entre Gandalf e o Balrog - os elfos de Lórien ganham uma trilha com coral que se casa perfeitamente à raça criada por Tolkien. Timidamente, Jackson também insinua-se nas canções que Tolkien espalha em sua obra – e que legitimam o universo que ele cria. Na versão estendida, uma bela cena apresenta Aragorn cantando uma canção em élfico que encanta Frodo. É uma pena que a cena não exista também na versão para os cinemas. A rigor, a versão estendida não altera o entendimento da história – diferente de “As Duas Torres, por exemplo – mas amplia o mergulho em toda a mitologia de Tolkien. Todos deveriam ver essa versão para esse mergulho ser profundo. O condado, os hobbits e seus hábitos são apresentados com detalhes em uma bela seqüência inicial, os hobbits vêem elfos na floresta rumando aos portos cinzentos, o coração de Lórien é mostrado e os presentes de Galadriel à comitiva merece atenção especial. São cenas que complementam uma obra já marcante na história do cinema.

Concerning Hobbits - na versão extendida, a apresentação dos hobbits logo após o prólogo


O prólogo, na versão estendida


Gandalf e o Balrog - versão editada por um fã, unindo as cenas do segundo filme.



Especial LOTR - Alan Lee e o visual da saga...

Escrito por Fábio Rockenbach

Especial - O Senhor dos Anéis - Parte 4 - A influência de Alan Lee no visual da trilogia.

Para não alongar este post - haverá outro apenas para Alan Lee - basta dizer que o mais famoso ilustrador de Tolkien é um dos responsáveis pela magia da trilogia no cinema. Sua visão das descrições do autor foram a base das adaptações - ele foi consultor do filme para cenários e figurinos. Algumas de suas ilustrações foram a base para o desenvolvimento de várias cenas. Para comprovar, basta clicar nas imagens abaixo e ampliá-las, comparando as ilustrações com os filmes. Mais abaixo, as legendas das imagens, todas elas criadas décadas antes dos filmes.

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1. Rivendell ( Valfenda ), lar de Elrond. Na cena do filme, a partida da sociedade rumo à Mordor.
2. Os portões de Moria.
3. O interior de Moria. Desenho de produção fiel à interpretação de Alan Lee da descrição de Tolkien.
4. Frodo, Sam e Gollum em frente ao Portão Negro. A cena é igual à ilustração, inclusive no ângulo em que foi filmada.
5. Gollum é capturado por Sam e Frodo. Sem comentários...
6. A árvore branca de Gondor. No filme, na cena em que Gandalg e Pippin saem após conversarem com Denethor.
7. Frodo e Shelob. A aranha não aparece no frame capturado do filme ( ela está sobre Frodo ). o cenário e a composição são iguais aos imaginados por Lee.
8. Mintas Tirith. Composição fidelíssima à que Alan Lee teve - Nasmith tem um desenho muito semelhante da cidade dos Homens.
9. Isengard. Não encontrei nenhuma cena que mostrasse toda a torre - ela é altíssima - mas quem conhece os filmes vai reconhecer facilmente como ela foi imaginada por Lee décadas antes dos filmes.
10. O Abismo de Helm. Toda a cena, os cenários, as proporções... tudo foi desenhado por Lee e retratado fielmente por Jackson.

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Especial LOTR - Mania de Hitchcok

Escrito por Fábio Rockenbach

Especial O Senhor dos Anéis - Parte 3 - Peter Jackson e suas pontas na trilogia.

É, não é apenas Hitchcok e Shyamalan que gostam de aparecer em seus filmes. Fã declarado de Lord of the Rings, Peter Jackson também deu um jeito de aparecer nos filmes. Encontrei ele duas vezes,, uma em A Sociedade do Anel, e outra em As Duas Torres. É provável que ele também apareça em O Retorno do Rei. Só é preciso vasculhar - não percebi, mas também não tinha percebido a ponta dele no segundo filme até assistir de novo neste final de semana.

Em A Sociedade do Anel
Os hobbits chegam a Bri para encontrar Gandalf no Pônei Saltitante. Ao entrarem na cidade, dão de cara com tipos mal encarados embaixo da chuva. Jackson aparece inconfundível debaixo de chuva, com cara de mau. ( clique para ampliar )
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Em As Duas Torres
Os Orcs fazem a primeira investida contra o portão principal. Théoden ordena que segurem a porta e impeçam a invasão. Crianças e soldados começam a soltar pedras sobre os Orcs. Jackson entre eles, de armadura e tudo...
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Especial LOTR - Ilustradores: Ted Nasmith

Escrito por Fábio Rockenbach

Especial "O Senhor dos Anéis" parte 2: a influência do desenho de Ted Nasmith na concepção de Alan Lee e do filme

Texto: acréscimos do blog a um texto original de Daniel De Boni

Foram Alan Lee e John Howe, principalmente Lee, os nomes que mais influenciaram a produção dos três filmes na criação de cenários, figurinos e mesmo cenas – o que poderá ser comprovado em breve com um post comparativo de cenas e pinturas feitas por Lee com anos de antecedência. Mas também é impressionante como a visão de Lee e de Ted Nasmith se assemelha. Se Nasmith não foi consultor do filme, sua visão influenciou muito o diretor Peter Jackson – como as imagens postadas abaixo poderão mostrar, para quem lembrar do filme. Não é mera coinscidência: Nasmith é um dos mais idolatrados ilustradores de Tolkien há mais de 30 anos.

Após ter lido O Senhor dos Anéis na década de 70 como estudante de arte quando ainda era bastante jovem, Ted Nasmith se tornou um apaixonado pela literatura Tolkineana. Isso ocorreu ainda antes de iniciar sua carreira como ilustrador. Ainda se passariam vários anos antes de começar a fazer ilustrações baseadas no Hobbit, no Senhor dos Anéis e no Silmarillion. Porém antes disso seu trabalho já era reconhecido na área de desenhos arquitetônicos, onde sua arte surrealística e sua grande dedicação arrebatavam elogios. Durante algum tempo ele dividiu seu trabalho entre a arte arquitetônica e Tolkien, além de outros tipos de ilustração, mas a Terra-média sempre foi à influência predominante da sua carreira.

Com dezenas de ilustrações de alta qualidade, Nasmith ganhou uma sólida reputação entre os fãs de Tolkien, e teve seu trabalho publicado em vários calendários e livros ao longo dos anos. Recentemente ilustrou sozinho uma edição comemorativa do Silmarillion, uma honra singular. Além do prazer complementar de trazer ao mundo visões da Terra-média, Ted Nasmith vê a sua arte como uma ponte que une dois reinos distantes, o nosso próprio mundo e Arda, o mundo criado por Tolkien, que não é outro mundo, mas apenas o nosso próprio em um período muito longínquo de tempo... milhares de anos atrás.

Conheça algumas das pinturas de Nasmith que influenciaram na produção ( clique para ampliar )

A Sociedade do Anel é emboscada na passagem de Caradhras
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A Fuga de Gandalf de Isengard

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Os Ents atacam Isengard

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Gandalf e as águias resgatam Sam e Frodo na Montanha da PerdiçãoPhotobucket

O adeus nos Portos Cinzentos
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Frodo e Gollum na Montanha da Perdição
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Veja a galeria completa de Ted Nasmith aqui
http://www.duvendor.com.br/galeria/thumbnails.php?album=4

Especial LOTR - A Idolatria por uma obra superior...

Escrito por Fábio Rockenbach

Especial "O Senhor dos Anéis - Parte 1": explicando a importância da obra literária e o respeito da adaptação com os fãs

É um prodígio constatar o respeito quase sagrado com que Peter Jackson tratou a adaptação para os cinemas de “O Senhor dos Anéis”. Para quem conheceu a obra somente a partir da repercussão das adaptações para o cinema, existe uma ausência de um background que explica essa reverência. Sempre fui um defensor de que as versões para o cinema sobrevivem sozinhas – eis porque também defendo as alterações feitas na adaptação – mas também sou um defensor ferrenho de que saboreia muito mais as três obras quem conhece Tolkien, quem as conheceu antes sequer dos filmes serem anunciados e saciava seus desejos da Terra Média observando os desenhos de Alan Lee, dos irmãos Hildebrandt, Ted Nasmith, John Howe e Angus Mc Bride. Esses fãs, que dessa forma mantiveram acesa a chama da obra, recebem nos filmes um presente especial.


Antes de mais nada, muita gente não entende a idolatria em torno da obra de Tolkien. Falta para muita gente esse conhecimento. “O Senhor dos Anéis” foi eleito o livro do século na Grã-Bretanha. Em números absolutos, só um livro no ocidente foi mais lido do que ele, a Bíblia. A trilogia do anel é o ponto máximo de uma obra que é absurdamente fabulosa. J.R.R. Tolkien, seu criador, notabilizou-se como lingüista, contemporâneo de C.S. Lewis e outros gênos. Lecionou em Oxford, e através de sua paixão por línguas antigas concebeu um universo fantástico. A rigor, considere que O Senhor dos Anéis só existe pela paixão de Tolkien pela lingüística. Encare assim: Tolkien criou línguas com uma estrutura gramatical perfeita: criou os símbolos que representam as letras, criou a fonética, definiu a gramática e até mesmo as exceções gramaticais. O Sindarin, as runas dos anões, a língua élfica, as línguas de vários povos que formam o background da trilogia foram criadas de forma perfeita por Tolkien – a tal ponto que existem comunidades na Inglaterra que falam entre si em élfico – mas para dar um sentido a essas línguas, Tolkien precisava de um mundo. Criou a Terra Média, fez um mapa de suas terras e acidentes geográficos, cada qual com sua particularidade.

E como todo mundo precisa de sentido, criou sua história e seus habitantes, desde o aspecto mitológico – os deuses que criaram a Terra Média – dividindo sua história em 3 eras. É como se a obra de Tolkien fosse o Antigo Testamento e o Novo Testamento da Terra Média. E esse mundo é completo: geograficamente, historicamente e linguisticamente. É a obra de uma vida, espalhada em diversos livros principais( O Silmarillion – o “Velho Testamento” da obra -, Contos Inacabados da Terra Média, O Hobbit, O Senhor dos Anéis... ) com outros complementares – como é o caso de As Aventuras de Tom Bombadil.

Esse processo começou nas trincheiras da primeira guerra mundial, quando esboçou o que seria O Senhor dos Anéis, mas começou com O Hobbit, aventura infanto-juvenil lançada pouco depois que fez enorme sucesso. Os apelos para uma continuação deram origem a “O Senhor dos Anéis” uma obra mais robusta, sombria e pesada, que só seria concluída na metade da década de 50. De lá até 2001, “O Senhor dos Anéis” manteve o posto de obra mais idolatrada da literatura mundial, e a referência para tudo o que se ouvia falar de mitologia: o mago de barbas brancas, trolls, elfos, dragões, anões, paladinos... enfim, todo o universo de aventuras de capa-e-espada e RPG. Não por acaso, a obra de Tolkien foi uma das maiores inspiradoras para George Lucas criar “Star Wars”, espécie de substituto futurista da mitologia de Tolkien. E Tolkien foi inspiração para que CS Lewis criasse “AS Crônicas de Nárnia”.

Quando me refiro ao respeito com que Jackson trata os fãs me refiro à maneira como ele traz vida e mostra aos fãs – como ele, um fã declarado da obra – a sua interpretação. Durante décadas, o mundo de Tolkien foi visto e discutido por artistas e fãs, baseado nas descrições detalhadas que Tolkein dava em seus livros. É por isso que, quando entra na casa de Frodo pela primeira vez, Gandalf dirige-se à sala e a câmera movimenta-se de cima abaixo de forma reverenciosa. É Jackson mostrando com detalhes, e com calma, a casa em Bolsão que durante mais de 40 anos só foi imaginada e vista em desenhos pelos fãs. É por isso que ele desvenda, lentamente, os caminhos, colinas e pequenos cantos do Condado quando Gandalf entra por ele no começo do primeiro filme – porque a visão do condado era algo que pertencia a cada fã, baseado na criação muito particular de Tolkien. É por isso que ele faz questão de dar um close em Isengard antes de desviar a câmera para Gandalf e Saruman em seu primeiro encontro: porque a Isengard que está ali foi imortalizada nos desenhos de Alan Lee durante décadas, e é prontamente reconhecida pelos fãs.

Esse texto é apenas uma introdução. Não tenho a bagagem literária – apesar de ter liso a obra duas vezes – para introduzir o universo de Tolkien. Queria apenas provocar quem não entende toda a louvação em torno de filmes e obras, de que há um imenso universo por trás das 12 horas de filmes vistas nos cinemas, ou mesmo além das milhares de páginas do livro. Um bom passo inicial para conhecer isso é conhecer os artistas que representaram Tolkien para o mundo por décadas. É o assunto do próximo post ( em meio aos posts, estou absorto em uma maratona de 16 horas de filme. Para quem já assistiu, é a melhor forma de entender e sentir novamente toda a carga de emoção e magia imposta por Jackson, bem como sentir melhor a diferença entre os filmes. Até a segunda, devo terminar ela... )

Para quem quiser saber mais sobre Tolkien
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Tolkien
http://duvendor.com.br/
http://www.valinor.com.br/



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Leni Riefenstahl - A Deusa Imperfeita

Escrito por Fábio Rockenbach

Ela era a diretora preferida de Hitler, que, dizem, até se apaixonou por Leni, a mulher. A vergonha do holocausto manchou-a indiretamente, foi discriminada em sua época e a história legou para ela uma herança de preconceitos.
E foi, também, um dos maiores gênios da história do cinema...

Berta Helene Riefenstahl só foi vencida pela morte depois de 101 anos, mas nunca pôde encarar e superar de frente a discriminação histórica que a acompanhou por mais de meio século. Apesar do (e alguns dizem por causa do) talento demonstrado como atriz, dançarina, diretora e fotógrafa, Riefenstahl nunca conseguiu se separar das associações com o Terceiro Reich. Embora seus filmes tenham tido impacto no cinema mundial, o fato de ser uma mulher também não a ajudou a conquistar o devido respeito. Sua tentativa de retomar sua carreira nos anos 50 também resultou inútil. O mais irônico é que justamente a beleza plástica e estética com que ela eternizou uma mancha na história do século é o que acabou eternizando-a.
A história de Berta, ou “Leni” Riefenstahl começa num distrito de Berlin, no começo do século XX. Seu pai, Alfred Riefenstahl, era um homem de negócios próspero que trabalhava no ramo de calefação e ventilação. Sua mãe era Bertha Sherlach. A primeira filha do casal, Helene (Leni) Bertha Amalie Riefenstahl, nasceu no dia 22 de agosto de 1902 no apartamento da família em Prinz-Eugen-Straße em Berlim. O irmão mais jovem de Leni, Heinz, nasceu três anos e meio depois. Ele morreria aos 38 anos na guerra de Hitler, no front russo. Leni cresceu em Berlim e viveu em casa até os 21 anos. Contra os desejos do pai, estudou dança e se apresentou em Munique, Berlim e Praga. Mas o curso de sua vida foi mudado dramaticamente quando um dia estava esperando por um trem de metrô no Nollendorfplatz U-Bahn em Berlim. Leni começava a sentir os reflexos de suas atividades na dança em seus joelhos, extremamente fragilizados. Naquele dia, viu um cartaz de propaganda do partido nazista na plataforma da estação. Leni lembrava das sensações no dia em que descansava os joelhos doloridos na estação e viu a imagem de um homem subindo uma montanha, promovendo um filme com nome profético de “Des Berg Schicksals” (" Montanha do Destino "). O filme estava em exibição num cinema ali próximo. Riefenstahl estava em um transe, enquanto o trem chegava e passava por ela na estação. Em vez de ir para o médico onde consultaria, deixou a estação e logo encontrava-se em um mundo imaginário, repleto de imagens vívidas e naturais de montanhas majestosas. Sem saber na ocasião, a garota de 21 anos começava a exercitar a imaginação que a levaria a produzir pelo menos duas obras-primas aclamadas.

Dezoito meses após o dia do seu “transe” na estação de Nollendorfplatz, Leni estreava no cinema, mas em frente às câmeras, atuando em “Der Berg Heilige”, de Arnold Fanck. A chance surgiu alguns meses após ver "A Montanha do Destino”, quando conheceu Fanck em Berlin. Junto com o diretor – e após uma bem sucedida cirurgia nos joelhos cansados – Riefenstahl também conhecera o ator Luis Trenker, que estrelou vários filmes com ela. O que para Leni era uma dádiva que surgiua muito rápido – talvez até demais – acabaria se tornando uma maldição anos depois, quando ela lamentaria ter conhecido qualquer um dos dois.

As circunstâncias que levaram Leni Riefenstahl a pular da frente para atrás das câmeras nunca foram bem explicadas sequer pela própria Leni. Foi um admirador de seu trabalho frente às câmeras, Adolf Hitler, que a convidou a filmar um documentário de uma parada nazista em Nuremberg em 1934. Que pese as razões que levaram Hitler a confiar naquela diretora ou o suposto envolvimento que muitos historiadores atribuíram aos dois, e que Leni sempre negou, o fato é que, depois de Nuremberg, o resto é história. A parada em Nuremberg daria origem a “O Triunfo da Vontade”, considerado por muitos anos um libelo nazista. Hitler recebeu o que queria, é verdade: um impressionante documento que atesta a força da coletividade, sua capacidade de comandar as massas e a submissão de uma força poderosa ao regime. Mas Riefenstahl também registrou a transformação de um povo em uma massa, a perda da individualidade e, dessa forma, criou um registro histórico impressionante de um dos episódios mais analisados e estudados da história humana: a submissão do povo alemão a Hitler.

Satisfeito com o registro de Nuremberg, Hitler deu à Riefenstahl a incumbência de filmar, em 1936, às Olimpíadas de Munique. Para as filmagens de “Olympia” ela comandou uma equipe de 60 câmeras. Três tipos diferentes de filmes em preto e branco - Agfa (planos arquitetônicos), Kodak (retratos), Perutz (campos, grama) - foram usado para filmar mais de 400km de filme. No processo, Riefenstahl inventou ou fez evoluir muitas das técnicas de fotografia de esporte que se utilizam atualmente: movimento lento, filmagens embaixo d'água, sequências filmadas do alto ( em torres ) ou de baixo ( em covas )cenas aéreas panorâmicas... O resultado é considerado uma obra-prima cinemática clássica. Olympia foi premiado no Berlin's UFA Palast no aniversário de Hitler, em 20 de abril de 1938.

O mesmo regime que lhe abriu as portas as fechou definitivamente, não importa o quão genial Riefenstahl fosse atrás das câmeras. Em 1938, Leni embarcou em uma viagem para América, inclusive a Hollywood, para promover Olympia. A visita foi arruinada por vários fatores, o principal deles a má repercussão dos atos nazistas que começavam a preocupar o mundo: a queima de sinagogas e a perseguição viciosa de lojistas judeus na Alemanha no dia 9 de novembro daquele ano. Os esforços da liga anti-nazista foram um nada comparados ao espião existente em sua própria companhia: Ernst Jäger, que mostrou-se ser um colega nada leal. Muito tarde ela descobriria que Jäger ajudara a sabotar seus esforços para organizar a distribuição nos Estados Unidos de seu premiado Olympia. Apesar da hostilidade da imprensa e de cartazes escritos "Leni Go Home" a mais famosa cineasta do mundo ganhou uma audiência com Walt Disney, embora ele tenha recusado assistir a uma exibição privada de Olympia. Disney, na verdade, temia um boicote aos seus filmes e desenhos. Um convite com Gary Cooper era, de repente, "pesarosamente cancelado". Até Disney declararia mais tarde que não sabia, na época, quem era realmente Riefenstahl...


Mesmo com o boicote, uma exibição para cerca de 50 jornalistas e executivos. rendeu na imprensa ( de forma tímida ) elogios entusiásticos à Olympia. O Los Angeles Times escreveu, na ocasião: " Este filme é um triunfo da câmera e uma epopéia da tela. Ao contrário dos rumores, é de nenhuma maneira um filme de propaganda, mas uma propaganda para qualquer nação. Seu efeito é definitivamente zero nesse quesito."

Mas o elogio não fez com que o Terceiro Reich encontrasse distribuidor nos Estados Unidos e Leni retornou arrasada para a Alemanha. Apesar das negativas de Jäger quanto a seus atos, ele não retornaria à Alemanha, dando a Leni a certeza de sua traição. A traição era duplamente dolorida porque ela tinha lutado para incluir Jäger na equipe que viajaria para os Estados Unidos, contra os protestos de Ministro de Propaganda Joseph Goebbels, que havia expulsado Jäger ( cuja esposa era judia ) do Reich Literature Chamber. Se o boicote em tempos pré-guerra foram difíceis para Leni, o pior veio depois. Ela suportou o caos do pós-guerra, foi presa ( e escapou ) três vezes para conseguir chegar à casa de sua mãe na Áustria e reencontrar o marido, com quem foi novamente presa não uma, mas duas vezes. Foi mantida sob a guarda do Sétimo Exército Americano, na companhia de pessoas como Hermann Göring e Sepp Dietrich (da SS). Mas depois de interrogarem-na, os americanos "des-nazificaram" a diretora de filme mais notória da Alemanha e a " libertou sem preconceitos " no dia 3 de junho de 1945. Uma Riefenstahl aliviada retornaria ao convívio de seu retiro em Kitzbühel, na Áustria, para onde ela se refugiou durante o bombardeio aliado sobre a Alemanha, e onde ele trabalharia em "Tiefland", que ela começou a filmar em 1940, mas enfrentando novos problemas. O local onde morava passaria a ser domínio Francês e ela foi aconselhada a se retirar para a área de influência americana. Riefenstahl, no entanto, temia em mover sua vasta biblioteca de filmes, incluindo os negativos originais de Olympia, e acreditava que seu perdão e a declaração de inocência seriam válidas para todos os países aliados.

Não foram.Os franceses decidiram movê-la à zona francesa na Alemanha onde iria parar nas ruínas de Breisah, próximo a Freiburg. Seu velho amigo lá, Dr. Fanck,negaria sequer conhecê-la e Leni viveu com o marido sob intensa apreensão em Breisach e depois em Königsfeld. Eventualmente Riefenstahl seria colocada num manicômio em Freiburg durante três meses antes da liberação dela em agosto de 1947. Mas até julho de 49 era ainda não seria "des-nazificada" pelos franceses. Não bastasse o fato dos franceses estarem de posse de todo o material de sua biblioteca, seu casamento estava prestes a se acabar em crise. Ela ainda demoraria a recuperar seu filme, Tiefland, graças ao surgimento de um fraudulento "Diário de Eva Braun", que citava seu nome - na verdade, produto de uma obscura atriz alemã que havia trabalhado com ela. Tiefland somente estrearia em 1954, 14 anos após começar a ser rodado... e seria o último filme liberado para apresentação da diretora. Embora tenha tentado rodar na África ( onde um acidente de carro quase a matou ) Riefenstahl teve as portas fechadas ao seu trabalho graças à discriminação, mas encontrou um refúgio: a fotografia, que se tornaria seu hobby e sua nova paixão, embora o cinema nunca deixasse de alimentar sua alma. Morou durante um tempo com uma tribo nativa na África e as imagens desse tempo apareceriam em dois livros fotográficos. Passou a realizar fotografia subaquática e, na décade de 70, mesmo aos 72 anos, mantinha-se firme realizando seu trabalho. A perseguição ao trabalho da diretora, no entanto, ainda existia em muitos meios. E isso ocorria desde o fim da guerra.


Budd B. Schulberg escreveu um artigo sobre Riefenstahl para o Saturday Evening Post. Seu título anunciava o que seria dela dali para frente:" Nazi Pin up Girl: Hitler's N° 1 Movie Actress". Os boatos acerca da paixão que Hitler sentia por Leni, a ponto de defendê-la enquanto outros membros do partido nazista pediam por um homem dirigindo seus filmes também ecoaram, mas nunca foram comprovados. Exibições das fotografias de Leni não escaparam da perseguição. Alguns jornais anunciavam:"Em Cartaz: exibição nazista". Críticos conseguiram ver tendências de fascismo e nazismo nas imagens de Riefenstahl de nativo africanos - uma raça considerada inferior pelos nazistas.

Leni Riefenstahl tinha 91 anos quando, finalmente, um documentário de 188 minutos dirigido por Ray Müller, The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl acabaria por ajudar a redimir a diretora. Exibido pelo canal a cabo GNT, o documentário mostra a diretora em sua face humana, relembra seus filmes, inclusive os mais obscuros, e nos apresenta a nonagenária artista em momentos e depoimentos emocionantes, como no reencontro com dois de seus cameramans que trabalharam em Olympia. Sem esquecer o enfoque dado àquela que é considerada sua obra-prima: O Triunfo da Vontade. Mas por mais que a qualidade de gênio à frente de seu tempo e de sua arte estejam estampadas vivamente na obra de Leni Riefenstahl, a sombra do homem que lhe abriu caminho confunde-se com o escuro desfiladeiro que se pôs à sua frente por obra do mesmo homem. Riefenstahl tornou-se refém do destino e da história, um misto de deusa pelo talento e de imperfeição por ter nascido e vivido em uma época e um país destinados a marcar negativamente a história do século XX.



Texto escrito e compilado a partir de inúmeras fontes em inglês e alemão. Alguns títulos originais em alemão podem conter erros de grafia. Não sou expert na língua, então me desculpem caso aconteça.

O Eterno Oeste de Mitos e Lendas

Escrito por Fábio Rockenbach



No post anterior já havia explicado que a idéia de relembrar o western partiu do pessoal do Multiplot. Considerado "o" gênero americano - e endeusado pela trupe da Cahiers - os filmes do gênero sempre passaram uma idéia simplista ao povão: o próprio título "bangue-bangue" da cultura popular resume isso. Mas é tudo:? Longe disso. Os westerns-spagetthiu de Leone trazem muito mais por trás do que simplesmente pistoleiros solitários e de poucas palavras. Alguns títulos de Ford e Hawks usam de matizes clássicas do gênero para falarem sobre discriminação racial, conflitos psicológicos e demônios interiores. Anthony Mann, um dos mais subestimados diretores do gênero, fez isso também, e Sam Peckinpah usou da violência para rever o gênero de um ponto de vista bem mais realista e abatido.
Como cada um mereceria uma visão própria, a hora agora é de, simplesmente, relembrar o gênero americano por excelência...

1860 - 1890.
Nenhum período tão curto da história recebeu, até hoje, tanta atenção. Apenas trinta anos serviram de inspiração para o surgimento daquele que é o mais americano dos gêneros - segundo a crítica francesa, talvez o único gênero genuinamente americano. Durante esses trinta anos ocorreu a fase áurea de expansão colonialista dos Estados Unidos em direção ao oeste de seu próprio território. Um período curto, marcado pelo surgimento de lendas e pela bravura trazida pelo tema do desbravamento e do colonialismo - uma nova terra surgia das mãos dos trabalhadores e dos homens de coragem.
Era uma terra árida, desértica, selvagem - destinada aos fortes. Foi um tempo onde se espalharam os feitos de coragem e covardia de homens que entraram para a própria história americana. Nomes como os do xerife Wyatt Earp e de Bufalo Bill, personagens reais que inspiraram diferentes versões de suas histórias para o cinema.
Foi exatamente o cinema que logo percebeu as possibilidades de se aproveitar toda a magia vinda das histórias da expansão para o oeste - O Grande Assalto de Trem, de Edwin S. Porter, pode ser considerado o primeiro policial do cinema, e também o primeiro western. Alguns dos primeiros heróis do cinema foram os caubóis, mudos ainda, mas já corajosos no manejo de uma pistola - Tom Mix e William S. hart fazem parte destes heróis precursores, além do próprio Bufalo Bill em pessoa.

Colonização do oeste, na época, significava levar o progresso e as leis da civilização a uma terra bárbara, que reagia aos bons mocinhos com grande hostilidade. Os índios eram tratados como povos brutos e violentos - monstros bárbaros combatidos pela intrépida cavalaria. Essa visão turva prevaleceu durante praticamente toda a grande fase do western, que durou, de uma maneira mais precisa, de 1939 até 1969 - trinta anos, exatamente igual ao período que registra o gênero.
Coinscidentemente, foi justamente com um filme que louvava essa mesma visão que o gênero tornou-se grande no ano de 1939. Várias já eram as produções baratas do gênero, exibidas a toque de caixa nas matinés, com enredos simples - The Covered Wagon ( 1922 ), de Raoul Walsh, chegou a chamar a atenção, mas logo o estilo seria jogado de novo na vala dos filmes comuns. Críticos atribuem à grande depressão com a crise de 29 o fato do g~enero ter demorado tanto a agradar o público, que durante um bom tempo preferiu filmes leves, urbanos, que os fizessem sonhar com uma vida melhor e os caubóis empoeirados e com roupas rasgadas não eram bem o objeto dos sonhos dos americanos- mas quando John Ford lançou "No Tempo das Diligências" em 38, o western tornava-se um gênero respeitado. O filme, clássico inquestionável, tinha como herói um ator que já havia feito diversos filmes B de aventura para pequenos estúdios - John Wayne, que havia estrelado o filme de Walsh em 22 - e trazia, então, um dos temas mais caros ao gênero: a história da carruagem que cruza o oeste e é surpreendida por um violento ataque de índios.

John Ford reinaria no gênero desde então - mas não de forma absoluta - com uma série de obras-primas. Dividiria o posto com cineastas como Howard Hawks ( o único a fazer frente a ele ), Henry King, John Sturges, William Wellman, Sam Peckinpah e Sergio Leone, entre outros. O gênero foi visitado por diretores acostumados a pisarem em outros gêneros, e de forma deslumbrante, como fizeram, entre outros, Fred Zinneman e George Stevens.
Os anos 40, que viram a aurora do gênero, testemunharam os grandes westerns de ação. William Wellman lança em 43 "Consciências Mortas". Três anos depois, é a vez de John Ford lançar um clássico, "Paixão dos Fortes" - história do mítico xerife Wyatt Earp, segundo Ford, ouvida da boca do próprio Earp. E o próprio Ford lançou, em 48, "Forte Apache" e 49, "Legião Invencível ". No primeiro, teve Henry Fonda. No segundo e no terceiro , John Wayne, seu ator preferido e presença constante nos seus maiores filmes ( aliás, nos grandes filmes do gênero também com outros diretores ).
Já lançada na platéia e gravada a figura mítica do xerife - essencial para a manutenção da paz numa época de transgressão e dificuldades em manter a lei - os anos 50 trataram de trazer ao cinema a consolidação e os anos de ouro do gênero, que viu-se dividido em dois estilos: o filme de ação e o western psicológico.

Os grandes westerns de ação da época, entre dezenas de produções baratas que fácil aceitação entre o público - um tema de fácil realização e pouca diferença em seus argumentos - são produções que, por um motivo ou outro, diferenciaram-se da produção em geral graças á qualidade de seus realizadores; "Os Brutos Também Amam" ( 1953 ), de George Stevens - o pistoleiro misterioso que chega do nada para mudar uma pequena cidade atormentada por um assassino - "Matador" ( 1950 ) de Henry King - o tema do pistoleiro mais rápido que todos, tendo sempre que provar seu valor a quem o desafia - " Vera Cruz" ( 1954 ) de Rober Aldrich - dois homens contratados para escoltar uma carga, e que decidem roubá-la - "Sem Lei, Sem Alma" ( 1957 ), de John Sturges - mais um filme sobre a vida de Wyat Earp e o duelo lendário contra os irmãos Clanton no Curral OK e "Da Terra Nascem os Homens" ( 1958 ) de William Wyller - western épico que tem na disputa pela terra sua motivação principal.
Os westerns psicológicos, por sua vez, traziam outras preocupações além da ação. Uma construção psicológica mais bem pensada de seus personagens proporcionava dramas humanos em meio aos tiros e mortes. Talvez o primeiro deles tenha sido "Rio Vermelho" ( 1948 ) de Howard Hawks, onde John Wayne interpreta um caubói desafiado pelo próprio filho adotivo ao levar um rebanho de gado do sul. O embate entre pai e filho permeia a trama, já descrita como uma "ópera a cavalo". Os anos 50 viram a consolidação do estilo com clássicos do porte de "Matar ou Morrer" ( 1952 ) de Fred Zinneman, "Johnny Guitar" ( 1954 ) de Nicholas Ray e "Onde Começa o Inferno" ( 1958 ) de Howard Hawks. Curiosamente, Matar ou Morrer e Onde Começa o Inferno oferecem visões opostas: no primeiro filme, Gary Cooper é o xerife que pede auxílio para enfrentar um bandido mas é ignorado e abandonado por todos na cidade. Howard Hawks não admitia isso e em resposta filmou "Onde Começa o Inferno", em que John Wayne é o xerife que recusa qualquer ajuda para enfrentar bandidos em superioridade numérica. O maior de todos, sem dúvida, veio das mãos de John Ford, em 1956. Em sua maior atuação, John Wayne transformou o personagem Ethan Edwards no maior retrato de solidão, amargura e obstinação no insuperável Rastros de Ódio - western denso e sombrio sobre a busca incansável de um homem atrás da sobrinha raptada por índios comanches.

Os anos 60 viu nascer uma corrente fora dos Estados Unidos, de produções baratas que fizeram grande sucesso pelo mundo - o chamado western-spaghetti. O diretor Sergio Leone e o ator clint Eastwood foram os nomes que mais fama fizeram, mas nomes como os de Giulianno Gemma e Franco Nero também tornaram-se famosos. Leone e Eastwood alcançaram grande êxito com um western mais satírico que o tradicional de Ford e Hawks, sempre com a trilha sonora de Ennio Morricone e, constantemente, a figura do estranho sem nome - comum a todo o western-spaghetti, de forma geral. Em "Por um Punhado de Dólares" ( 64 ) o diretor fez alusão ao clássico Yojimbo, de Akira Kurosawa. Iniciou também uma trilogia, completada com "Por uns Dólares a Mais" (65) e "Três Homens em Conflito" (67), o melhor deles - que trouxe, de quebra, um dos mais famosos temas musicais do gênero.



Nos Estados Unidos, é o começo do fim para um gênero genuinamente americano. John Sturges faz uma homenagem a um clássico de Akira Kurosawa - o diretor japonês sempre foi fonte de inspiração para o gênero, apesar de, assumidamente, inspirar-se neles para fazer seus filmes - em 1960. "Sete Homens e um Destino" inspira-se em "Os Sete Samurais" e faz sua própria história. Tornou-se um dos grandes westerns do cinema e trouxe a mais conhecida de todas as trilhas musicais - um tema para o próprio gênero. Em 63, Henry Hathaway, George Marshall e John Ford dirigiram o ambicioso "A Conquista do Oeste" - o título diz tudo - com um elenco de astros. Em 61, Marlon Brando teve sua única experiência na direção, com um western psicológico, "A Face Oculta". Ao longo da história, outros nomes de peso deixaram suas marcas no gênero, como King Vidor em "Duelo ao Sol" ( 1946 ) e o próprio John Wayne dirigindo, em "O Álamo" ( 1960 ). Em 69, Wayne receberia enfim o Oscar merecido por uma brilhante carreira com "Bravura Indômita", pouco antes de morrer.

Parecia que o western previa seus últimos instantes de genialidade. No mesmo ano da premiação de Wayne, herói maior do cinema americano, surgiam as três últimas obras-primas a encerrarem um ciclo na história do cinema. "Butch Cassidy" de George Roy - Hill - western alegre, descompromissado e movimentado com Paul Newman e Robert Redford - "Meu Ódio Será Tua Herança" - apologia ao próprio fim do gênero dirigida por Sam Peckinpah, contando a história de veteranos bandidos aplicando seu último golpe - e "Era uma vez no Oeste" - obra-prima máxima do diretor Sergio Leone trazendo um dos mitos do gênero, Henry Fonda, pela primeira e única vez no assustador papel de vilão.

Os anos 70 teriam tentativas frustradas de fazer o gênero retornar aos bons tempos. Os dois únicos filmes que conseguiram alguma atenção foram filmes comprometidos socialmente com a lembrança dos verdadeiros donos do território invadido pelo homem branco. A defesa dos índios como seres humanos e não meros inimigos hostis e selvagens chegou com força em "O Pequeno Grande Homem" ( 1970 ) de Arthur Penn e "Um Homem Chamado Cavalo" ( 1970 ) de Elliot Silverstein, com marcantes desempenhos, respectivamente, de Dustin Hoffman e Richard Harris. A premissa, no entanto, não era nova. O precursor no estilo foi "Flechas de Fogo" ( 1950 ), de Delmer Daves, com James Stewart - outro mito do gênero que compôs com o diretor Anthony Mann grandes obras como "Winchester 73", de 1950 - Stewart estrelaria grandes clássicos de outros diretores também, como "O Homem que Matou o Fascínora" ( 62 ) de John Ford. foi nesse filme que o personagem de Edmond O'Brien disse a frase que norteou a própria carreira de Ford: "Quando a lenda é mais interessante que a realidade... imprima-se a lenda".
Dos grandes mestres, apenas Sam Peckinpah resistiu nos anos 70, com "Pat Garret & Billy the Kid", de 73. Mas o gênero já agonizava. Prova da dificuldade ocorreu com "O Portal do Paraíso"
( 1980 ) de Michael Cimino, o maior fracasso comercial da história do cinema, que faliu a United Artists. Silverado ( 85 ) de Lawrence Kasdan, ainda trouxe algum sopro de vida ao gênero - mas ele carecia, então, de novas idéias num cinema já completamente voltado aos efeitos especiais e ao apelo comercial.

Em 1990, Kevin Costner descobriu o potencial do western como filme épico e fez de "Dança com Lobos" - um hino pacifista em favor da cultura indígena - o grande vencedor do Oscar com 07 prêmios, incluindo melhor filme e direção. Abriu uma porta para o renascimento do gênero. A vitória no Oscar, em 92, de "Os Imperdoáveis" de Clint Eastwood mostrou que ainda havia muito o que explorar no gênero. Um dos seus maiores mitos provocava neste filme a desmistificação de vários de seus postulados ( não existem heróis ou vilões e todos tem seus erros a confessar e a pagar ). A partir de então vários filmes invadiram o mercado: "Maverick", "Quatro Mulheres e um Destino", "Wyatt Earp", "Tombstone", "Lendas da Paixão", "Newton Boys". Alguns com alguma qualidade, como o mal avaliado e mal recebido "Wyatt Earp" de Lawrence Kasdan... ou a ótima aventura proporcionada por "Tombstone" de George Pan Cosmatos - ambos contando a mesma história clássica do xerife Wyatt Earp. Mesmo que sem a mesma consistência, qualidade ou periodicidade de antes, o gênero americano tem reaparecido para uma sobrevida com releituras interessantes. "Os Três Enterros de Melquiades Estrada", "Os Indomáveis" e "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford".
No fundo, o gênero permanece o mais americano e legítimo de todos que já trouxeram personagens de carne e osso - ou icônicos - para povoar as telas do cinema. Que viva para sempre...

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