Os homens que dizem Nii

Escrito por Fábio Rockenbach

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O humor nunca mais foi o mesmo depois de 05 de outubro de 1969, quando um sexteto anárquico e irreverente surgiu pela primeira vez na televisão britânica. O “Monty Python” revolucionou o humor unindo sarcasmo e diálogos cortantes durante 4 anos, invadiu o cinema com duas obras-primas nos anos 70 e deixou um legado que foi mal mantido: o humor tornou-se visual e o besteirol descerebrado tomou o lugar das referências culturais. Uma pena, mas o original está ao alcance de todos.

Digam “Nii!!” em uníssono na próxima segunda, fãs da comédia. O dia 05 de outubro é a data em que o humor mundial alcançou a maioridade, que o humor moderno começou a engatinhar e, ironicamente, em que ele também começou a morrer - porque basta surgir para que se esteja datado para, um dia, ser (mal) imitado, e se tornar lugar comum.

O dia 05 de outubro marca a primeira aparição do grupo inglês Monty Phyton na televisão britânica, com o irreverente “Monty Python’s Flying Circus”, o show de comédia televisiva que inaugurou o que ficou conhecido como “humor britânico” - e o momento em que nasceu as bases do humor que tem¬perou coisas como “TV Pirata”, “Casseta & Planeta” e os filmes dos irmãos Zucker e Abrahams nos anos 80 ( Top Secret, Apertem os Cintos o Piloto Su¬miu e Corra que a Polícia vem Aí). A receita implantada pelo Monty Python acabou se deturpando pela mediocridade, deu origem ao besteirol, tornou-se dependente ( e muito ) do humor visual e deixou de lado o humor verbal e inteligente, marcas do grupo. Não são poucos, hoje, os que não entendem o humor do Monty Python. É um reflexo de uma criatura que eles próprios criaram e que foi sendo transformada para pior.

Como série televisiva, “Monty Python’s Flying Circus” consistiu de 45 episódios divididos em 4 temporadas que ampliaram a influência do grupo para outras mídias. Durou de 1969 a 1974, e o impacto do sexteto se expandiu também com a invasão dos cinemas a partir de “Monty Phyton e o Cálice Sagrado”, de 1975, e “A Vida de Brian”, de 1979, as obras-primas do humor que se elevam na filmografia que tem momentos irregulares, como “O Senti-do da Vida” e “Ao Vivo do Hollywood Bowl”. Separados, Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam investiram em outros filmes como “Erik, o Viking” e “Um Peixe Chamado Wanda”. Nada comparado ao impacto do humor anárquico exercitado nos 4 anos da série e nas duas obras dos anos 70: o número de gags por minuto é incomparável em produções onde os Phyton’s brincam até mesmo com a precariedade das produções.
Em “A Vida de Brian”, eleito pela Tottal film, Channel 4 e Channel 5 a melhor comédia da história e o 6º melhor filme britânico de todos os tempos, o grupo brinca com dogmas católicos ao colocarem um pobre coitado sendo confundido com Jesus Cristo desde o momento em que nasce até sua morte. “O Cálice Sagrado” tira onda de personagens caros à história mitológica britânica. Nada que importe para eles: as risadas do público sempre soaram mais altas do que qualquer protesto. Seguem soando ainda hoje, 40 anos depois. Digam “Nii!!” então, na segunda-feira. O grupo completa 40 anos de humor…

O MELHOR DO PYTHON

A PIADA MAIS ENGRAÇADA DO MUNDO
A piada mais engraçada do mundo mata qualquer um que a lê, e é até usada no cam¬po de batalha da segunda guerra mundial. Um dos mais famosos quadros do grupo, presentes no primeiro episódio do programa.





FUTEBOL DOS FILÓSOFOS
Brilhante esquete que coloca em um cam¬po de futebol pensadores alemães contra os pensadores gregos: Kant, Marx e outros enfrentando Platão, Sócratos, Aristóteles e cia, em um jogo arbitrado por Confúcio. Os comentários - “O time alemão destruiu o meio campo inglês de Bertrand, Locke e Hobbes no jogo passado” - são geniais para quem aprendeu alguma coisa sobre os grandes pensadores.






DÉJA VU
O apresentador de um programa científico começa a falar sobre porque sentimos a sensação de “Déja Vu” e… bom, só assistindo. Filmes como “Feitiço do Tempo” surgiram baseados no que se vê aqui – e o final é hilário.





O HOMEM QUE TERMINA AS SENTENÇAS
- Um esquete do Monty Python sobre um homem que ajuda as pessoas a…
- …terminar suas sentenças?
- Sim, obrigado.






COMO NÃO SER VISTO
O Monty Python mostra os segredos para não ser visto, sob uma narração que apresenta paisagens onde as pessoas “não estão”




1 Comentários:

  1. Otavio disse...

    Excelente texto! Não sabia da data, embora adore o Monty Python. E "A Piada Mais Engraçada do Mundo" é demais!

    Meu filme favorito, no entanto, é EM BUSCA DO CÁLICE SAGRADO.

    Abs!