Ano a Ano - 1981

Escrito por Fábio Rockenbach

1981 foi um ano riquíssimo, e começou a sinalizar a separação definitiva com o clima mais pesado dos anos 70, ainda presente no ano de 1980. Foi em 1981, por exemplo, que começou a popularização das continuações ( estrearam naquele ano Halloween II, Mad Max 2 e Sexta-Feira 13 Parte 2 ). Os dois filmes de terror nessa lista são o indicativo de que o público adolescente já era o principal alvo dos estúdios, reflexo da mudança causada por blockbusters como Tubarão, Guerra nas Estrelas e Superman nos anos 70. As duas séries citadas se tornariam combustível para inúmeros filmes explorando o mesmo filão. Produtoras começaram a lançar no mercado imitações baratas – não que os originais, com exceção do primeiro Halloween, de 1978 – fossem algo muito melhor. Mas foi o início ao culto do personagem, mais do que do ator: nomes como Jason Vorhees, Michael Myers e Freddy Krueger ( a partir de 1984 ) seria figurinhas fáceis em um gênero desprezado pela crítica, mas amado pelo público, principalmente após o advento do videocassete e o hábito de trocar o cinema pelo conforto dólar. Disputas entre os sistemas de vídeo – Betamax e VHS – iriam ganhar espaço nos anos seguintes, e locadoras começariam a se proliferar. Tudo no rastro dos dólares deixados nas bilheterias pelo público adolescente.
(Leia mais após a relação de meu Top 10 daquele ano).

Filmes do ano já comentados
Carruagens de Fogo
Os Caçadores da Arca Perdida

Top 10 de 1981
1. Os Caçadores da Arca Perdida
2. Um Tiro na Noite
3. Um Lobisomem Americano em Londres
4. Mad Max 2, a Caçada Continua
5. A Guerra do Fogo
6. Gallipoli
7. O Barco – Inferno no Mar
8. Excalibur
9. Pixote, a Lei do Mais Fraco
10. Mephisto


Se filmes de terror – e mais adiante comédias adolescentes com temáticas sexuais – iriam marcar a década, nem tudo nesse bolo pode ser descartado. Na mesma linha, os grandes estúdios descobriram que valia a pena gastar grandes quantias para criar superproduções que renderiam inúmeras vezes mais nas bilheterias. A fórmula do filme feito para agradar o adolescente começava a ser delineada. Mas nesse processo, algumas obras-primas surgem. Toda essa trajetória começada nos anos 70 pode ser considerada estabelecida de vez nos anos 80 após o sucesso, no ano anterior, de “O Império Contra-Ataca” e de “Os Caçadores da Arca Perdida”, lançado em 1981, marcando a primeira parceria entre George Lucas e Steven Spielberg. Ao custo de US$ 23 milhões, o primeiro filme de Indiana Jones lucrou mais de US$ 200 milhões nas bilheterias e recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo filme e diretor.

Outros (bons) filmes de aventura conquistaram o público em 1981. Wolfgang Petersen começou a aparecer no mercado mundial com “O Barco – Inferno no Mar”, aventura de guerra consistente e emocionante. O mestre dos efeitos visuais stop-motion Ray Harryhausen ajudou a transformar “Fúria de Titãs” num dos últimos representantes dos filmes de fantasia a usarem o recurso de forma massiva, em uma aventura que promove um misto de referências mitológicas que tornou-se um clássico de sessão da tarde. Esse gênero, que criou anteriormente obras como “Jasão e os Argonautas” e as aventuras de Sinbad, começaria a dar lugar para heróis mais humanos, mesmo que envoltos em épocas fantasiosas. É o caso de “Mad Max 2 – A Caçada Continua”, eletrizante continuação do sucesso australiano de 1979 que lançou Mel Gibson ao estrelato mundial. O mesmo Gibson, por sinal, astro da aventura de guerra “Gallipoli”, um filme mais contemplativo e nostálgico dos fatos trágicos de uma batalha na segunda guerra mundial que elevou o nome do diretor Peter Weir. E o ( anti ) herói de “Fuga de Nova Iorque”, Snake Plissken ( Kurt Russel ) é um mercenário prisioneiro que precisa resgatar o presidente americano de uma Nova Iorque transformada em prisão. Em outra frente, “Dragonslayer” revolucionou pelos seus efeitos visuais na criação de um dos mais convincentes e assustadores dragões já vistos no cinema, em uma aventura ao estilo RPG que angariou fãs e só cresceu de conceito com o passar dos anos. Já “Os Bandidos do Tempo” é uma aventura de ficção que não encontrou seu público, apesar das qualidades e de ter por trás nomes como o diretor Terry Gilliam e o ator John Cleese, do Monthy Pyton, além de Sean Connery e Shelley Duval ( Connery também alcançou relativo sucesso com “Outland – Comando Titânico ").

Se obras de suspense baratas como as séries Sexta-Feira 13 e Halloween começavam a abundar, bons filmes de terror também surgiram em 1981. Lobisomens foram o tema de dois exemplares que tornaram-se clássicos modernos: “Um Lobisomem Americano em Londres”, bem sucedida investida do diretor John Landis em criar um misto de terror e humor que foi, em parte, pouco entendido pela crítica, e “Grito de Horror”, filme de terror sufocante de Joe Dante que reflete a paranóia do aumento da criminalidade e não faz concessões ao humor. Cult desde seu lançamento, deu origem a continuações fracas e mal-sucedidas. Não é o caso de “A Morte do Demônio”, nome (mal traduzido ) em português de “Evil Dead”, a produção independente de baixo orçamento feita pelo diretor Sam Raimi, com ajuda de colegas de faculdade, que se transformou em fenômeno e foi durante mais de 10 anos proibida em diferentes países, pelo seu conteúdo escatológico e violência explícita. ( Raimi optaria pela mescla com o humor nas duas continuações que faria posteriormente, a primeira praticamente uma refilmagem com mais recursos ).

Das produções que chamaram a atenção por sua excentricidade, “Excalibur” de John Boorman e “A Guerra do Fogo” de Jean Jacques-Annaud dividiram opiniões em sua época. A primeira é uma aventura pesada baseada no visual brilhante e luxuoso das histórias do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda – e que tornou conhecida a ópera Carmina Burana. O segundo é cinema antropofágico, baseado em uma extensa pesquisa e trabalho de interpretação gestual, sem uma única palavra, que narra a busca de hominídeos para encontrar o fogo que eles perderam de seu acampamento.

Filmes de suspense adulto e temática sexual, como “Corpos Ardentes” e “O Destino Bate à Sua Porta” fizeram a tela pegar fogo com a química dos casais William Hurt/Kathleen Turner e Jack Nicholson/Jessica Lange. Fogo também pegou a tela com “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”, de David Cronenberg, mas o grande suspense do ano é “Um Tiro na Noite”, de Brian DePalma, com John Travolta – formaria um trio de filmes inesquecíveis feitos nos quatro primeiros anos daquela década por DePalma, ao lado de Dublê de Corpo e Vestida para Matar.

O Oscar, no ano, foi para Carruagens de Fogo ( o prêmio é entregue nos primeiros meses do ano seguinte, lembre-se. Carruagens ganhou o Oscar 1982, mas é de 1981. Em 1981, o prêmio foi entregue a Gente como a Gente, e em 1980, a Kramer VS Kramer, sempre filmes dosanos anteriores ao da entrega ). Para muitos, uma injustiça: os grandes favoritos eram, alémde “Caçadores da Arca Perdida”, o drama “Reds”, de Warren Beatty, livra adaptação de “Os 10 Dias que Abalaram o Mundo” contanto a história do jornalista John Reed durante a revolução russa.
E o cinema nacional deu as caras com força: ao lado de “O Mistério de Oberwald”, “A Noite de São Lourenço” e “Mephisto”, “Pixote – A Lei do mais Fraco” de Hector Babenco pode ser considerado um dos melhores filmes estrangeiros do ano.


Em Breve, o ano de 1982

Mais curiosidades de 1981:
- Katherine Hepburn ganha seu quarto Oscar por “Num Lago Dourado”, a primeira a ganhar tal número de premiações da Academia.
- A MGM adquire a United Artistis, abalada pelo fracasso de “O Portal do Paraíso”.
- Em 24/07 é lançado o canal MTV, que acabaria influenciando filmes como Flashdance e Footloose e todo o estilo do ano.
- Natalie Wood, aos 43 anos, morre afogada durante as filmagens de Brainstorm, de Peter Hyams, lançado em 1983.
- O primeiro prêmio Framboesa de Ouro é dado a Can’t Stop the Music, de 1980.
- Ainda que só tenha sido lançado em 1984 nos Estados Unidos, “Os Deuses Devem Estar Loucos” foi lançado em 1981, e tornaria-se o maior sucesso de bilheteria do cinema estrangeiro até então nos Estados Unidos, após quebrar recordes mundo afora.
- Reagan apóia uma campanha da Adolescent Family Life Act ( AFLA ) em prol da abstinência sexual e cuidados contra a gravidez para adolescentes. Essa ação não daria muito certo ao longo da década, repleta de comédias adolescentes com temática sexual.



Ano a Ano no Cinema - 1980

Escrito por Fábio Rockenbach

A série Ano a Ano no Cinema relembra, de forma rápida, os filmes e fatos que marcaram cada ano e faz um retrato de época para tentar entender como eles foram influenciados - ou influenciaram - as produções que surgiram nas telas. Era uma idéia de longa data, mas como é algo para consumir muito ( é, muito mesmo ) tempo, foi sendo adiada. Também não pretendia fazer algo em ordem cronológica, mas que me desse prazer de escrever. A idéia era começar com a década de 50, que considero a verdadeira era de ouro do cinema americano, mas um comentário acerca de como a década de 80 foi a mais medíocre na história do cinema - e eu não concordo sequer com a idéia de rotular períodos como melhores ou piores - mudou prioridades.
Se a década de 80 foi marcada pelo surgimento de filmes medíocres e a febre das continuações e imitações, parte da culpa é do público, que aceitou a oferta graças à ascensão do videocassete e da própria evolução tecnológica. Em 1980, os primeiros indícios da mudança do tempo começaram a aparecer, mas a política autoral americana ainda mantinha seus últimos representantes. Mais do que simplesmente citar filmes lançados ano a ano, a idéia é comentar esses períodos e sinalizar o que de mais importante surgiu.

1980 - O adeus à era dos autores
O ano de 1980, a rigor, parecia não perceber que fazia parte de outra década, um marco cronológico ideal para sinalizar uma mudança de ares. Fácil de entender. Ainda era possível sentir reflexos dos anos 70, uma década marcada pelo surgimento de uma geração de cineastas jovens que definiram, a seu próprio estilo, uma política autoral no cinema americano que contribuiu para que uma indústria em crise conhecesse novos conceitos e pudesse manter viva a idéia de um filme realmente autoral. Para muitos, foi o começo do fim, a década em que o cinema morreu. Há os que consideram os anos 80 a década mais pobre da história do cinema. Acho extremamente injusto denegrir dez anos de grandes produções devido a uma mudança de comportamento que deve, em muito, à escalada absurda da tecnologia naquele tempo ( foi a década em que a televisão, o videocassete e o computador pessoal começaram a mudar o comportamento e defender a idéia utópica de que isso não teria provocado mudanças na arte cinematográfica é uma idéia tão ingênua quanto ultrapassada). Graças a essas tecnologias, mudou o mercado e o comportamento do consumidor. A culpa, portanto, não cabe apenas à George Lucas, como querem muitos puristas.

Mas ainda alheio à futura febre de blockbusters, continuações e filmes de mais valor massivo do que artístico, o ano de 1980 ainda mantinha parte da sensação de depressão e esperança, de incerteza e contradições que marcou os anos 70. Afinal, cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Terrence Malick, Alan Parker, Hal Ashby e Bob Fosse passaram os últimos quatro anos da década anterior entregando ao público uma mescla de retratos daquele cinema pesado ( e viril ) e de últimos exemplares do cinema de autor americano nos anos da virada, respectivamente com Taxi Driver, Apocalypse Now, Cinzas do Paraíso, O Expresso da Meia Noite, Muito Além do Jardim e O Show Deve Continuar.

Não necessariamente os últimos. Martin Scorsese, por exemplo, começou os anos 80 entregando possivelmente seu filme mais autoral, legando a seu alter-ego nas telas o papel do perfeito alter ego do próprio diretor, resgatado de uma clínica de reabilitação para um papel importantíssimo no cinema moderno. Scorsese largou a cocaína e, com ela, parece ter largado em cada frame de “Touro Indomável” o que restava dos anos de loucura e incerteza. Aceitou o convite de Robert DeNiro para dramatizar em celulóide a trajetória de destruição e auto-punição de Jake La Motta como se fosse um espelho de sua própria condição. Nas cordas do ringue onde La Motta deixou seu sangue, Scorsese deixou o último rastro dos filmes que havia feito nos anos anteriores – e dali para diante, a expiação se transformaria em um exercício de linguagem baseado em tudo o que absorvera até ali.

Outros filmes guardam, como “Touro Indomável”, resquícios do clima dos anos 70. Filmes como “Agonia e Glória”de Samuel Fuller, “O Homem Elefante”de David Lynch, “Atlantic City”de Louis Malle e “Os Irmãos Cara de Pau” de John Landis . Mas a revolução tecnológica iniciada em 1977 pela IL&M e a criação dos fenômenos de bilheteria a partir de 1975 deixou claro para a indústria que havia uma parcela de público interessada em tornar o cinema, mais do que um exercício de reflexão ou admiração de estilos autorais, um simples escape. Inspirado nos alucinados filmes do grupo inglês Monthy Pyton, Jim Abrahams, David e Jerry Zucker provocam gargalhadas com o humor escrachado de “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, satirizando diversos sucessos do cinema dos anos 70. É interessante notar como os filmes que tentam fazer o mesmo, nos tempos atuais, sofrem de tamanha falta de competência que atestam não apenas a incapacidade dos realizadores como a própria intenção de chamar o público, cada vez mais, de retardado.

Seguindo essa mesma linha de dialogar com o público mais interessado na sensação do que na visão e no estilo, filmes como “Flash Gordon”, “Sexta-Feira 13”, “Os Deuses Deve Estar Loucos”, “Carros Usados”e “A Lagoa Azul”( este último um fenômeno baseado na beleza pueril de Brooke Shields, que causara alvoroço com “Pretty Baby” em 1978 ) davam uma tímida amostra do que estava por acontecer nos anos seguintes.

A indústria do cinema também acusava, timidamente, mudanças. Pela primeira vez na história do entretenimento, uma mulher ( Sherry Lansing, de 36 anos ) tornou-se presidente de um grande estúdio, ao assumir a 20Th Century Fox. Não muito longe dali, a United Artists, herança da visão de DW Griffith, Charles Chaplin, Douglas Fairbanks e Mary Pickford no começo do século, via-se responsável pelo filme que marcou, definitivamente, o fim do período de autor do cinema americano nos anos 70 com o monumental fracasso de “O Portal do Paraíso” de Michael Cimino ( ganhador do Oscar em 1978 com “O Franco Atirador”). A UA não suportou um monumental fracasso de bilheteria e acabou adquirido pela MGM em 1981, outro estúdio dos anos dourados que acabaria passando o restante da década sobrevivendo das incursões de James Bond ( vivido então por um insosso Roger Moore ) nas telas do cinema. A eleição de um ex-ator, Ronald Reagan, pode ser encarado como o sinal definitivo de que algo estava mudando, para o bem ou para o mal.
O Oscar? Esse foi para “Gente como a Gente”, mas é o que menos importa.

Também em 1980, Richard Gere começou a arrancar suspiros da platéia feminina com “Gigolô Americano”. Enfrentando uma fase difícil em sua vida pessoal, Bergman entregou um ignorado “Da Vida das Marionetes”, que poderia ser melhor reavaliado (talvez até pelos problemas pessoais, anunciava-se no sueco o começo do final de sua carreira, que seria decretada dois anos depois). Jonathan Demme começa a aparecer com “Melvin e Howard”, comédia que começaria a sinalizar o estilo cômico que se tornaria comum durante a década e Akira Kurosawa mostrava ainda ter fôlego para contar uma grande história de uma forma visualmente rica, em cores, como o mestre japonês ainda não havia conseguido mostrar com “Kagemusha – A Sombra de um Samurai”. Ainda ligado à mítica figura de Clark Kent, Christopher Reeve tornava-se um dos astros do ano com “Superman II – A Aventura Continua”, irregular continuação do filme de Richard Donner que ajudou a definir a nova era ainda em 1978, e o romance “Em Algum Lugar do Passado”,única obra de destaque na carreira do diretor Jeannot Szwarc, que adquiriria com o passar do tempo o status de pequena jóia Cult do cinema romântico, baseado em obra de Richard Matheson.

Enquanto Robert Altman batia com a cara na parede ao entregar uma extremamente indecisa adaptação de “Popeye”, com Robin Williams, Shelley Duvall, a Olivia Palito do filme, era aterrorizada por um Jack Nicholson que criou, em “O Iluminado”, nuances de interpretação e maneirismos que o acompanhariam para o resto da carreira na versão extremamente pessoal e artística de Stanley Kubrick para o romance homônimo de Stephen King – tão pessoal que King apoiaria a realização de uma minisérie fiel à obra duas décadas depois, ironicamente muito mais fraca do que a visão de Kubrick, um dos poucos cineastas remanescentes das décadas anteriores que permaneceu,essencialmente, autoral em suas obras.

Mas nem o Jack Torrance de O Iluminado nem o Superman marcaram presença tão forte nos cinemas quanto Luke Skywalker e Darth Vader, protagonistas do momento mais traumático do ano para as platéias no clímax de “O Império Contra-Ataca”, ópera espacial que provou o quanto um roteiro bem trabalhado pode fazer para um filme destinado inicialmente a ser apenas um chamariz äs platéias por suas qualidades técnicas. “Star Wars V – O Império Contra-ataca”tornou-se um dos filmes mais vistos da década e um dos mais bem acabados exemplos das possibilidades do cinema em divertir o público sem esquecer de respeitar sua inteligência, justamente a acusação que muitos críticos ainda fazem a George Lucas quando ele lançou – pasmem – justamente o filme que deu origem a “O Império”. Foi o último ano em que Hollywood ainda tirou tempo para curar suas feridas. A partir de 1981, o cinema americano iria, definitivamente, mudar de ares, e abrir espaço para o surgimento de novos talentos fora dos Estados unidos, empurrados pela popularização do cinema em casa.
Demais anos da década em breve no blog...