Mamma Mia

Escrito por Fábio Rockenbach

( Mamma Mia, EUA, 2008)
Direção de Phyllida Lloyd, com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Julie Walters, Christine Baranski, Colin Firth, Stellan Skarsgard, Amanda Seyfried


Muito pouco se vê de realmente autoral nessa transposição do musical de sucesso da Broadway, que no cinema já rendeu mais de U$ 450 milhões em todo o mundo, porque o que se vê na tela é, no fundo, uma brincadeira, uma mega homenagem, um agradável período de férias para os envolvidos. Lloyd, a diretora, nem precisou ter experiência com cinema, porque "Mamma Mia" não é bem... cinema. É um grande videoclipe com cantores de chuveiro se divertindo.
E "Mamma Mia" é um filme de um só público. Foi feito para esse público, é por ele que deve ser assistido. Por que então foi um sucesso tão grande? Talvez porque existam mais pessoas que gostam de ABBA espalhados pelo mundo do que a vã filosofia possa imaginar. Talvez porque, se "Mamma Mia" disfarça uma histérica homenagem ao ABBA em forma de filme - uma jukebox de luxo embalada em milhões de dólares - pelo menos o faz com um elenco que deixa claro, em cada frame, que está se divertindo pra caramba com tudo aquilo, assumem a farsa, descambam para a auto-gozação, deitam e rolam.
Claro que, se a simples menção de ABBA lhe traz arrepios, toda essa empatia e mesmo uma das mais soltas e agradáveis aparições de Meryl Streep nas telas não valerão de nada. "Mamma Mia" é um filme de um só público: aquele que gosta de musicais, e mais ainda, de ABBA. Para esses, vale cada centavo do ingresso também para ver o sexteto que toma conta da tela.
Julie Walters ( a professora de dança de Billy Elliot ) e Christine Baranski estão hilárias como as amigas da personagem de Meryl Streep, Donna, mãe solteira que se prepara para o casamento da filha Sophie. A filha, sem que ela saiba, convidou os três homens do passado da mãe que podem ser seu pai. E tudo se resume a isso: o choque do reencontro de Dona com o passado e a confusão da situação - Donna não sabe o que a filha sabe e nenhum dos três sabe que pode sar pai de Sophie. É o tipo de confusão que, na vida real, se resolveria em alguns minutos, mas como em uma boa novela, ninguém diz o que deve ser dito, ou esclarece nada.



Esqueça: é um musical, e a lógica vai para o espaço em várias seqüências. E quando menos se espera, algum personagem já está cantando alguma música do ABBA - algumas casam perfeitamente com a estória, outras são forçadas, mas o público não está nem aí. Lloyd fez questão que os próprios cantores encarassem o desafio: as mulheres, nesse quesito, fazem e acontecem, e "aquela" parcela do público para quem o filme foi feito vai gostar de ouvir "Dancing Queen", "The Winnter Takes it All", "Take a Chance on Me", "SuperTrouper", "I Have a Dream" e outras músicas da boca do elenco.
O melhor, mesmo, é entrar no clima de sarro total. Com exceção da última intervenção, Pierce Brosnan até que não se sai tão mal cantando (Skaarsgard não abre a boca e Firth o faz discretamente), mas do trio de atores, Colin Firth é quem mais lucra com a brincadeira, e quem mais se solta.
E Meryl... bom, Meryl é outro nível. Ele tanto pode ser uma megera do mundo da moda, a mãe dominadora de um senador candidato à presidência ou uma solteirona presa à adolescência cantando em uma ilha grega. Ela é sempre maravilhosa. "Mamma Mia" pertence tanto à Meryl que, nas poucas cenas em que ela não aparece, o filme provoca bocejos. É ela, conduzindo uma brincadeira que fica escrachada nos créditos finais - aguarde o segundo número dos créditos quando o trio masculino entra em cena de forma hilária - que faz valer cada minuto de "Mamma Mia", um filme que pode não ser, exatamente, um filme. Que pode ser uma espécie de grande videoclipe relembrando a discografia do ABBA, mas cujo clima lembra uma daquelas brincadeiras de fim de festa de faculdade onde o que vale é mesmo se divertir e zoar.


5 Comentários:

  1. Robson Saldanha disse...

    É um filme que tenho vontade de ver... mas nada demais, sem muitas pretesões!

  2. Pedro Henrique disse...

    Eu achei Mamma Mia um filme razoável quando a Meryl Streep está cena. Quando ela deixa Pierce Brosnan (neste filme ele está caricato, mas não acho ele um mau ator) desfilar sua ruindade e Colin Firth entregar uma atuação apática, o filme se perde. Não gostei!

    Abraço!

  3. Fábio L. Rockenbach disse...

    Escrevi isso, que o filme vale quando Meryl está em cena. Só discordo de Firth: dos homens, acho que é o único que aproveitou e deixou claro que o filme para ele era um sarro. Dos três, foi o mais solto e debochado em cena.

  4. Mariana disse...

    Eu fiz questam de comprar o filme é o melhor musical que já vi até hoje.
    Sou vossa fa e adoro os aba nao podem acabar.
    A donna é uma exelente actris tambem gostei do filme que ela fez casa na pradaria
    A sophie tambem é muito fixe gosto muito da musica mama mia e da musica S.O.S.

  5. Anônimo disse...

    ADOREI, JÁ ASSISTI UMAS 10 VEZES, É TRI!!!! É ALEGRE,ESCRACHADO, ALTO ASTRAL, o melhor musical-filme ,,, e olha que não gosto de musical, mas MAMMA MIA é dez!!!
    aGRÉCIA é Linda, MERYL é MERYL e o elenco é super !!!